Quem acompanha um ou mais grupos sobre motos no facebook, com certeza já se deparou com alguma fotomontagem com texto dizendo que se você não anda de moto, nunca irá entender porquê gostamos de pilotar, ou algo parecido.
Parece chavão, piegas, mas é verdade: não há mesmo como explicar a sensação e o prazer de pilotar uma moto. Palavras como liberdade, conexão com o mundo, etc. são bastante ouvidas, mas só mesmo pilotando, sentindo o vento na cara e vendo a paisagem sem uma gaiola de aço em volta de você é que se consegue entender isso. Eu mesmo não entendia, antes de ter moto.
Como disse antes, eu comprei a moto para me locomover mais rapidamente no caos paulistano, mas não demorou muito para descobrir que pilotar era um grande prazer, e depois disso minha relação com as duas rodas mudou radicalmente. Foi apenas umas duas ou três semanas após receber a CNH de moto que o meu amigo A. me convidou para participar de um passeio até Campos do Jordão, junto com várias outras motos.
Naquela época, ele rodava muito com um grupo de amantes de motos Harley-Davidson, o HOG (Harley Owners Group) ligado à uma concessionária de SP. A fábrica obriga as suas concessionárias a formar estes grupos de motociclistas, para oferecer alternativas de passeios aos donos de motos da marca, e assim, estimular as vendas, já que os pontos de encontro são sempre nas lojas da marca. Ele era da diretoria do HOG e eu passei a rodar bastante com eles, mas de Citycom. Para minha surpresa, me receberam muito bem e não tive dificuldades em acompanhá-los na estrada.
Passei a fazer passeios regularmente, aos finais de semana, e também organizei alguns com outros donos de Citycom que conheci através do fórum de internet sobre o scooter. Por fim, comecei a apreciar também os passeios sozinho, meio sem destino, coisa que ainda gosto bastante hoje em dia. Paisagens bastante conhecidas de carro transformaram-se em paisagens completamente novas de moto. Sem a gaiola de aço nos envolvendo, as paisagens são mais detalhadas e bonitas, as cores mais vivas, os cheiros mais presentes. Passamos a interagir com a estrada, em vez de apenas passar sobre ela alienados pelo conforto e silêncio do automóvel.
O carro, aliás, acabou meio que esquecido na garagem, só sendo usado raras vezes. Passei a fazer tudo o que eu podia de moto, especialmente quando o senso comum diria que é hora de usar o carro - nos dias de chuva! Em sampa há um fenômeno bastante curioso: basta que caiam três ou quatro pingos de chuva que os motoristas parecem esquecer de como se dirige, e se tornam todos uns domingueiros. O trânsito trava sem razão aparente, de tal forma que os tempos de viagem se duplicam, triplicam, etc. etc. De moto isso deixa de ser um problema, pois temos a agilidade necessária para driblar isso e chegar rapidamente ao destino.
Em pouco tempo, a kilometragem da minha moto disparou, e rodei mais de 20 mil km no primeiro ano. Desde então, nunca mais usei o carro como principal meio de locomoção, especialmente para o lazer.


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