quarta-feira, 28 de setembro de 2016

A Galeguinha



Foi num sábado de manhã, estava mais que pronto pra ir buscar minha Citycom na concessionária. Olho pra fora e tá garoando! Que droga, não queria tirar ela na chuva, ainda mais que nunca tinha pilotado moto no trânsito.

Dei uma enrolada em casa, quando foi 9h decidi ir com garoa e tudo. Cheguei na loja e São Pedro me mandou um solzinho que secou a pista. Falei com o vendedor, a moto estava pronta na entrada da oficina.

Fiz uma inspeção detalhada e achei 2 problemas: as tampinhas plásticas que cobrem as cabeças dos parafusos dos retrovisores estavam rachadas, e tinha um risco na dianteira, no protetor de mão do lado direito. Era uma batida de alguma ferramenta e tinha lascado a pintura. Na hora mostrei e eles trocaram tudo ali, na minha frente. Esperei uns 20 min., enquanto eles arrumavam, e eu batendo papo com o vendedor. Casualmente mencionei que seria a primeira vez que iria pilotar no trânsito, e contei que era recém-habilitado e tal. O vendedor, coitado, ficou super apreensivo, tentou me fazer desistir de levar a moto sozinho. Não cedi e saí com a moto, mesmo com o vendedor tentando me convencer a chamar algum amigo que soubesse pilotar....

Na porta da loja deu aquele medo, afinal, estava prestes a entrar na maior avenida de Santo André, e ainda com faixa exclusiva de ônibus na direita, que eu ia ter que atravessar pra sair. Acelerei e fui, e deu tudo certo, rapidinho estava me sentindo como se já conhecesse a moto. Claro que fui na manha, sem pegar corredor, parando na fila de carros, mas deu tudo certo.

O maior susto foi quando, parado no semáforo, a moto ainda sem placa e eu sem CNH, me passam 4 motos da ronda da PM. Por sorte nem olharam pro meu lado e seguiram reto, ufa!!

Levei a Citycom pra casa, e já fui planejando como iria me acostumar com ela. Decidi que iria me limitar a dar umas voltinhas com ela aos poucos, só no bairro, pra ir pegando o jeito, e foi o que fiz. No dia de levar pra emplacar, como ainda estava sem a CNH de moto, pedi a um amigo para levá-la, e eu acompanhei de carro.

Na semana seguinte, quando saiu a CNH, comecei a testar os caminhos pro trabalho, aos sábados à tarde. Demorei mais umas semanas pra me sentir confortável de ir de scooter num dia normal, até que criei coragem e fui. Foi assustador!!!

Trânsito travado, corredor e mais corredor, moto-boys buzinando e me empurrando, xingando, mas em poucos dias me acostumei a pegar rotas com menos motos e no fim de um mês ou dois, já estava totalmente à vontade, inclusive nas inevitáveis chuvas.

Foi aí que comecei a notar algo inesperado: meu carro começou a ficar cada vez mais encostado, e nas vezes que saía com ele, o trânsito me irritava de tal modo que chegava a estragar meu humor pro resto do dia. Andava de carro no meio das faixas, como se fosse embicar ele no corredor entre os carros, em vez de me alinhar atrás dos outros. Fiquei totalmente sem paciência para cuidar do carro, justo eu que anotava cada abastecimento num caderninho, juntava cada nota fiscal de troca de óleo numa pasta. Comecei a negligenciar a manutenção do carro, e só tinha olhos pra Citycom.

Ela até ganhou um apelido, Galeguinha. E muitos acessórios.....

Sem me dar conta, respirava motos. Passei a frequentar sites e fóruns na internet sobre ela, e sobre outras motos. Logo era moderador de um fórum da Citycom, e comecei a escrever sobre mecânica, a fazer avaliação de acessórios e de oficinas, e fiz amigos, muitos amigos. 

Virei um “motociclista” !


segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Moto aos 40 !!!!!!!



Antes dos 40, a única vez em que havia subido num veículo motorizado de 2 rodas foi ainda garoto, na garupa de uma mobilete de um primo na Itália, por exatos 5 segundos..... eu sentei, ele arrancou e eu caí pra trás!

Sempre fui um apaixonado por carros, daqueles de conhecer de cabeça detalhes técnicos de modelos e motores, e ficar horas a fio no salão do automóvel admirando e namorando os carros de sonho. Ainda garoto, enchia as paredes com pôsteres de Ferraris, Lamborghinis e Porsches, e quando tirei carta aos 18, não largava meu carro por nada. Tive jipes e fiz muita trilha, dirigi caminhão e carreta, e até trator, mas nunca senti vontade de rodar de moto, mesmo gostando de pedalar por lazer e ter tido diversas bicicletas na juventude.

Achava algumas motos bonitas, mas não tinham maior apelo que isso para mim. Foi só com quase 40 anos de idade que comecei a cogitar de ter uma moto para lazer, por influência de um amigo que sempre me falava de como ele curtia a moto dele, mas não passou da fase das idéias.

Foi em 2012 que acabei retomando com força a idéia, mas não por lazer e sim por falta de paciência com o trânsito caótico dessa cidade que eu odeio e amo ao mesmo tempo, São Paulo. Eu morava no ABC Paulista e trabalhava em São Paulo, na zona Oeste às margens da rodovia Raposo Tavares, e meu percurso de uns 35km aproximadamente, me tomava praticamente 2 horas pela manhã e mais 2 à tarde, ou então era obrigado a dar uma volta enorme pelo Rodoanel, rodando quase 200km/dia mas reduzindo o tempo de percurso a “apenas” 2,5 horas diárias.

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Após um ano nessa rotina, minha tolerância para trânsito pesado, que nunca foi boa, tinha praticamente sumido, e foi assim que renasceu a idéia da moto, mas com algumas alterações. Se antes eu pensava na moto como um instrumento de lazer, para passeios calmos aos finais de semana, agora eu a via como um meio de me livrar dos congestionamentos e ganhar a tão invejada agilidade dos motoboys. Comecei a matutar a idéia, primeiro sozinho e depois junto com a esposa, que inicialmente torceu o nariz mas acabou vendo que eu tinha lá uma parcela de razão.

Eu mesmo demorei um pouco a me convencer, afinal, estatísticas de mortes e acidentes de motoqueiros em SP estavam sempre nos noticiários diários, e com uma filha pequena em casa, muita coisa passa pela nossa cabeça, mas no final o sangue italiano e as décadas de história das duas rodas na terra natal começaram a fazer sua pressão e acabaram por me mostrar que, no fundo, eu poderia me valer da agilidade das duas rodas pois era algo comum na Itália, onde todos andam de scooter e etc.

O passo mais difícil foi vender a idéia para os meus pais, mas finalmente consegui, ou pelo menos os venci pelo cansaço, e eles relutantemente pararam de reclamar abertamente. Bom conhecedor das mães italianas, sei que a minha não ficou nada tranquila.......

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Durante este processo eu decidi que antes de comprar qualquer coisa eu iria fazer a motoescola e tirar a bendita carta A. Pensei que assim eu poderia eventualmente desistir se não gostasse, sem ter investido nada significativo. Procurei uma motoescola próxima do trabalho e me inscrevi, indo logo para as aulas práticas lá no estacionamento da Bienal.

No primeiro dia acordei super cedo para poder chegar lá e fazer a aula antes do trabalho. Alguns dias antes já havia comprado um capacete, para não ter que usar aquele compartilhado da motoescola (nojento!), e posso dizer que fiz uma compra bem ao estilo marinheiro de primeira viagem... Que porcaria de capacete! Usei pouquíssimo e me livrei dele logo que pude.

Cheguei na aula com um frio na barriga, tentando imaginar como seria o primeiro contato com a moto. Para minha surpresa, o instrutor logo disparou: “sabe andar de bicicleta? Ótimo, sobe naquela preta ali e dá umas voltas no oval ali.” Virou as costas e foi fazer outra coisa.
- Péra! Como???

Mesmo sem nunca ter subido numa moto, montei na CGzinha que já estava ligada esquentando e fui na fé, lembrando do que tinha lido em preparação às aulas. Engatei a primeira e saí queimando embreagem pra ela não morrer. Em um minuto já tava pegando o jeito da coisa, mas daí cheguei na curva..... fui indo, com o pé pronto pra apoiar se ela tombasse e tudo bem. Em pouco tempo já tava menos tenso e rodando no oval.

As aulas foram se sucedendo e eu fui pegando o jeito, passando pro circuito do exame, e tentando aprender a me equilibrar nas manobras que pareciam super desafiadoras – o slalom de cones, o caracol e a prancha, até o dia da prova prática que, claro, bombei. Remarquei, fiz mais umas aulas e finalmente passei.

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Nesse meio tempo eu havia começado a pesquisar sobre qual scooter comprar. Eu estava decidido pelo scooter, pois achava que seria mais prático e fácil, não precisaria passar marchas nem frear com o pé. Como sempre, quando a gente começa a se interessar por algo, começa a enxergar mais aquela coisa, e eu me surpreendi com a quantidade de scooters que passaram a chamar minha atenção na rua. Uma em particular me cativou, a Dafra/SYM Citycom 300i, que naquela época estava sendo adotada largamente pela Porto Seguro para sua frota de atendimento e resgate rápido a segurados. Achei seu porte mais adequado ao meu tamanho, evitando que eu parecesse aquele “urso na bicicletinha”.

Fui pesquisar, conversei com amigos e li vários blogs na internet, especialmente o do meu amigo e conterrâneo Fabrizio (http://citycom300.blogspot.com.br/) e me convenci de que era a escolha certa pra mim. Uma semana antes do meu 40º aniversário, entrei na concessionária Dafra de Santo André e comprei minha Citycom 12/13 branca, zerinho. Tirei ela de lá dia 30 de junho de 2012, iniciando um ciclo que vou contar em outras postagens.