segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Moto aos 40 !!!!!!!



Antes dos 40, a única vez em que havia subido num veículo motorizado de 2 rodas foi ainda garoto, na garupa de uma mobilete de um primo na Itália, por exatos 5 segundos..... eu sentei, ele arrancou e eu caí pra trás!

Sempre fui um apaixonado por carros, daqueles de conhecer de cabeça detalhes técnicos de modelos e motores, e ficar horas a fio no salão do automóvel admirando e namorando os carros de sonho. Ainda garoto, enchia as paredes com pôsteres de Ferraris, Lamborghinis e Porsches, e quando tirei carta aos 18, não largava meu carro por nada. Tive jipes e fiz muita trilha, dirigi caminhão e carreta, e até trator, mas nunca senti vontade de rodar de moto, mesmo gostando de pedalar por lazer e ter tido diversas bicicletas na juventude.

Achava algumas motos bonitas, mas não tinham maior apelo que isso para mim. Foi só com quase 40 anos de idade que comecei a cogitar de ter uma moto para lazer, por influência de um amigo que sempre me falava de como ele curtia a moto dele, mas não passou da fase das idéias.

Foi em 2012 que acabei retomando com força a idéia, mas não por lazer e sim por falta de paciência com o trânsito caótico dessa cidade que eu odeio e amo ao mesmo tempo, São Paulo. Eu morava no ABC Paulista e trabalhava em São Paulo, na zona Oeste às margens da rodovia Raposo Tavares, e meu percurso de uns 35km aproximadamente, me tomava praticamente 2 horas pela manhã e mais 2 à tarde, ou então era obrigado a dar uma volta enorme pelo Rodoanel, rodando quase 200km/dia mas reduzindo o tempo de percurso a “apenas” 2,5 horas diárias.

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Após um ano nessa rotina, minha tolerância para trânsito pesado, que nunca foi boa, tinha praticamente sumido, e foi assim que renasceu a idéia da moto, mas com algumas alterações. Se antes eu pensava na moto como um instrumento de lazer, para passeios calmos aos finais de semana, agora eu a via como um meio de me livrar dos congestionamentos e ganhar a tão invejada agilidade dos motoboys. Comecei a matutar a idéia, primeiro sozinho e depois junto com a esposa, que inicialmente torceu o nariz mas acabou vendo que eu tinha lá uma parcela de razão.

Eu mesmo demorei um pouco a me convencer, afinal, estatísticas de mortes e acidentes de motoqueiros em SP estavam sempre nos noticiários diários, e com uma filha pequena em casa, muita coisa passa pela nossa cabeça, mas no final o sangue italiano e as décadas de história das duas rodas na terra natal começaram a fazer sua pressão e acabaram por me mostrar que, no fundo, eu poderia me valer da agilidade das duas rodas pois era algo comum na Itália, onde todos andam de scooter e etc.

O passo mais difícil foi vender a idéia para os meus pais, mas finalmente consegui, ou pelo menos os venci pelo cansaço, e eles relutantemente pararam de reclamar abertamente. Bom conhecedor das mães italianas, sei que a minha não ficou nada tranquila.......

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Durante este processo eu decidi que antes de comprar qualquer coisa eu iria fazer a motoescola e tirar a bendita carta A. Pensei que assim eu poderia eventualmente desistir se não gostasse, sem ter investido nada significativo. Procurei uma motoescola próxima do trabalho e me inscrevi, indo logo para as aulas práticas lá no estacionamento da Bienal.

No primeiro dia acordei super cedo para poder chegar lá e fazer a aula antes do trabalho. Alguns dias antes já havia comprado um capacete, para não ter que usar aquele compartilhado da motoescola (nojento!), e posso dizer que fiz uma compra bem ao estilo marinheiro de primeira viagem... Que porcaria de capacete! Usei pouquíssimo e me livrei dele logo que pude.

Cheguei na aula com um frio na barriga, tentando imaginar como seria o primeiro contato com a moto. Para minha surpresa, o instrutor logo disparou: “sabe andar de bicicleta? Ótimo, sobe naquela preta ali e dá umas voltas no oval ali.” Virou as costas e foi fazer outra coisa.
- Péra! Como???

Mesmo sem nunca ter subido numa moto, montei na CGzinha que já estava ligada esquentando e fui na fé, lembrando do que tinha lido em preparação às aulas. Engatei a primeira e saí queimando embreagem pra ela não morrer. Em um minuto já tava pegando o jeito da coisa, mas daí cheguei na curva..... fui indo, com o pé pronto pra apoiar se ela tombasse e tudo bem. Em pouco tempo já tava menos tenso e rodando no oval.

As aulas foram se sucedendo e eu fui pegando o jeito, passando pro circuito do exame, e tentando aprender a me equilibrar nas manobras que pareciam super desafiadoras – o slalom de cones, o caracol e a prancha, até o dia da prova prática que, claro, bombei. Remarquei, fiz mais umas aulas e finalmente passei.

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Nesse meio tempo eu havia começado a pesquisar sobre qual scooter comprar. Eu estava decidido pelo scooter, pois achava que seria mais prático e fácil, não precisaria passar marchas nem frear com o pé. Como sempre, quando a gente começa a se interessar por algo, começa a enxergar mais aquela coisa, e eu me surpreendi com a quantidade de scooters que passaram a chamar minha atenção na rua. Uma em particular me cativou, a Dafra/SYM Citycom 300i, que naquela época estava sendo adotada largamente pela Porto Seguro para sua frota de atendimento e resgate rápido a segurados. Achei seu porte mais adequado ao meu tamanho, evitando que eu parecesse aquele “urso na bicicletinha”.

Fui pesquisar, conversei com amigos e li vários blogs na internet, especialmente o do meu amigo e conterrâneo Fabrizio (http://citycom300.blogspot.com.br/) e me convenci de que era a escolha certa pra mim. Uma semana antes do meu 40º aniversário, entrei na concessionária Dafra de Santo André e comprei minha Citycom 12/13 branca, zerinho. Tirei ela de lá dia 30 de junho de 2012, iniciando um ciclo que vou contar em outras postagens.


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