Antes
dos 40, a única vez em que havia subido num veículo motorizado de 2 rodas foi
ainda garoto, na garupa de uma mobilete de um primo na Itália, por exatos 5
segundos..... eu sentei, ele arrancou e eu caí pra trás!
Sempre
fui um apaixonado por carros, daqueles de conhecer de cabeça detalhes técnicos
de modelos e motores, e ficar horas a fio no salão do automóvel admirando e
namorando os carros de sonho. Ainda garoto, enchia as paredes com pôsteres de
Ferraris, Lamborghinis e Porsches, e quando tirei carta aos 18, não largava meu
carro por nada. Tive jipes e fiz muita trilha, dirigi caminhão e carreta, e até
trator, mas nunca senti vontade de rodar de moto, mesmo gostando de pedalar por
lazer e ter tido diversas bicicletas na juventude.
Achava
algumas motos bonitas, mas não tinham maior apelo que isso para mim. Foi só com
quase 40 anos de idade que comecei a cogitar de ter uma moto para lazer, por
influência de um amigo que sempre me falava de como ele curtia a moto dele, mas
não passou da fase das idéias.
Foi
em 2012 que acabei retomando com força a idéia, mas não por lazer e sim por
falta de paciência com o trânsito caótico dessa cidade que eu odeio e amo ao
mesmo tempo, São Paulo. Eu morava no ABC Paulista e trabalhava em São Paulo, na
zona Oeste às margens da rodovia Raposo Tavares, e meu percurso de uns 35km
aproximadamente, me tomava praticamente 2 horas pela manhã e mais 2 à tarde, ou
então era obrigado a dar uma volta enorme pelo Rodoanel, rodando quase
200km/dia mas reduzindo o tempo de percurso a “apenas” 2,5 horas diárias.
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Após
um ano nessa rotina, minha tolerância para trânsito pesado, que nunca foi boa,
tinha praticamente sumido, e foi assim que renasceu a idéia da moto, mas com
algumas alterações. Se antes eu pensava na moto como um instrumento de lazer,
para passeios calmos aos finais de semana, agora eu a via como um meio de me
livrar dos congestionamentos e ganhar a tão invejada agilidade dos motoboys.
Comecei a matutar a idéia, primeiro sozinho e depois junto com a esposa, que
inicialmente torceu o nariz mas acabou vendo que eu tinha lá uma parcela de
razão.
Eu
mesmo demorei um pouco a me convencer, afinal, estatísticas de mortes e
acidentes de motoqueiros em SP estavam sempre nos noticiários diários, e com
uma filha pequena em casa, muita coisa passa pela nossa cabeça, mas no final o
sangue italiano e as décadas de história das duas rodas na terra natal
começaram a fazer sua pressão e acabaram por me mostrar que, no fundo, eu
poderia me valer da agilidade das duas rodas pois era algo comum na Itália,
onde todos andam de scooter e etc.
O
passo mais difícil foi vender a idéia para os meus pais, mas finalmente
consegui, ou pelo menos os venci pelo cansaço, e eles relutantemente pararam de
reclamar abertamente. Bom conhecedor das mães italianas, sei que a minha não
ficou nada tranquila.......
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Durante
este processo eu decidi que antes de comprar qualquer coisa eu iria fazer a
motoescola e tirar a bendita carta A. Pensei que assim eu poderia eventualmente
desistir se não gostasse, sem ter investido nada significativo. Procurei uma
motoescola próxima do trabalho e me inscrevi, indo logo para as aulas práticas
lá no estacionamento da Bienal.
No
primeiro dia acordei super cedo para poder chegar lá e fazer a aula antes do
trabalho. Alguns dias antes já havia comprado um capacete, para não ter que
usar aquele compartilhado da motoescola (nojento!), e posso dizer que fiz uma
compra bem ao estilo marinheiro de primeira viagem... Que porcaria de capacete!
Usei pouquíssimo e me livrei dele logo que pude.
Cheguei
na aula com um frio na barriga, tentando imaginar como seria o primeiro contato
com a moto. Para minha surpresa, o instrutor logo disparou: “sabe andar de
bicicleta? Ótimo, sobe naquela preta ali e dá umas voltas no oval ali.” Virou
as costas e foi fazer outra coisa.
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Péra! Como???
Mesmo
sem nunca ter subido numa moto, montei na CGzinha que já estava ligada
esquentando e fui na fé, lembrando do que tinha lido em preparação às aulas.
Engatei a primeira e saí queimando embreagem pra ela não morrer. Em um minuto
já tava pegando o jeito da coisa, mas daí cheguei na curva..... fui indo, com o
pé pronto pra apoiar se ela tombasse e tudo bem. Em pouco tempo já tava menos
tenso e rodando no oval.
As
aulas foram se sucedendo e eu fui pegando o jeito, passando pro circuito do
exame, e tentando aprender a me equilibrar nas manobras que pareciam super
desafiadoras – o slalom de cones, o caracol e a prancha, até o dia da prova
prática que, claro, bombei. Remarquei, fiz mais umas aulas e finalmente passei.
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Nesse
meio tempo eu havia começado a pesquisar sobre qual scooter comprar. Eu estava
decidido pelo scooter, pois achava que seria mais prático e fácil, não
precisaria passar marchas nem frear com o pé. Como sempre, quando a gente
começa a se interessar por algo, começa a enxergar mais aquela coisa, e eu me
surpreendi com a quantidade de scooters que passaram a chamar minha atenção na
rua. Uma em particular me cativou, a Dafra/SYM Citycom 300i, que naquela época
estava sendo adotada largamente pela Porto Seguro para sua frota de atendimento
e resgate rápido a segurados. Achei seu porte mais adequado ao meu tamanho,
evitando que eu parecesse aquele “urso na bicicletinha”.
Fui
pesquisar, conversei com amigos e li vários blogs na internet, especialmente o
do meu amigo e conterrâneo Fabrizio (http://citycom300.blogspot.com.br/) e me convenci de que era a escolha
certa pra mim. Uma semana antes do meu 40º aniversário, entrei na
concessionária Dafra de Santo André e comprei minha Citycom 12/13 branca,
zerinho. Tirei ela de lá dia 30 de junho de 2012, iniciando um ciclo que vou
contar em outras postagens.
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